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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AKC Invitational: o torneio de Agility das raças!

Na próxima semana acontece o AKC Invitational na cidade de Orlando. Será o último ano do torneio em Orlando fechando um contrato de 4 anos com o Orange Convention Center onde o torneio acontece desde 2013.

O Invitational aceita competidores de outros países, mas se você é um competidor do Brasil, acredite, você não quer investir sua grana nesse torneio. Mas o que é o Invitational? E quais os prós e contras do torneio?

Eu estive presente em duas oportunidades, em 2013 e 2014 e conheço bem o torneio. O Invitational é um torneio nacional da AKC mas não é o mais importante torneio nacional dessa federação. O AKC Nationals é o torneio anual mais importante da AKC e o Invitational é o torneio das raças.

Pelo regulamento do torneio, apenas os 5 melhores cães de cada raça participam do certame. Para se determinar o melhor de cada raça soma-se por todo o ano os pontos que os cães fazem nos torneios locais da AKC, o que por sua vez já traz uma certa revolta por parte de alguns competidores. Na verdade o torneio acaba trazendo quem compete mais pela AKC e não os melhores. Ou seja, se você fizer uma prova da AKC por mês e vencer ainda assim não fará a mesma quantidade de pontos de outra pessoa que competir 3 finais de semana mesmo nao vencendo. Na verdade acaba se classificando para o Invitational os 5 cães de cada raça que mais competiram no ano, e não os melhores. A parte bacana desse torneio é a variedade de raças. São dezenas e dezenas de raças diferentes.

Outra situação um tanto quanto complicada de entender é o metódo de qualificação para as finais. Todos os competidores correm em 4 pistas e os 10 melhores no combinado das 4 pistas vão disputar a pista final. Até aí, tudo bem, porém classificam para as finais apenas um exemplar de cada raça. Veja como esse sistema é complicado. Na categoria 60cm digamos que os 5 primeiros colocados sejam os Border Collies (o que não é raro de acontecer). Apenas o melhor Border Collie vai a final, e as outras 9 vagas são dadas as outras raças como se segue na classificação final do Combinado. Esse método, privilegia as raças, ou seja, teremos 10 diferentes raças nas finais. Mas raramente alguém bate aquele cão que terminou na primeira colocação no combinado das 4 pistas.

Foi exatamente o que aconteceu comigo em 2013 quando após as 4 pistas eu terminei na terceira colocação em um universo de mais de 200 cães, porém com dois Border Collies a minha frente em primeiro e segundo, não fomos a final. Naquele momento, cães que terminaram em posições muito piores (porém de outras raças) foram a final.

Existe, uma excessão para cães estrangeiros. Existe uma vaga entre os 10 primeiros que é dada para uma dupla que não é dos Estados Unidos, porém apenas uma. Em 2013, quando terminei em terceiro lugar, o primeiro colocado se classificou direto a final e o segundo colocado era um Border Collie do Canadá que acabou pegando a vaga para o estrangeiro nos empurrando para fora da final.

Outro fator que vai fazer os brasileiros não curtirem esse torneio são as pistas. Bem as estilo da AKC, abertas e com pouquissimos desafios, os brasileiros vão se sentir competindo em pistas iniciantes da FCI.
Outro ponto positivo sobre esse torneio são os premios em dinheiro. Em 2013 minha terceira colocação me rendeu um prêmio de 700 dólares. Em 2014, mesmo com duas eliminações acabei embolsando 120 dolares pelas outras duas pistas.

Como dito anteriormente, o AKC Invitational acontece na próxima semana em Orlando e para o próximo ano volta a costa oeste dos Estados Unidos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Por que (a maioria) dos americanos não querem competir fora do país?

Não há dúvidas de que ter a oportunidade de competir em um torneio internacional representando o seu país é algo inesquecível. Desfilar com a bandeira e representar a sua nação é uma honra e nos faz sentir que estamos ali por algo maior. Mas sabe-se que nos Estados Unidos apenas 5% do total dos competidores tem esse sonho. Por que?


Antes de mais nada é preciso dizer que mesmo 5% sendo um percentual muito pequeno, dentro de um universo de aproximadamente 30 ou 40 mil pessoas que oficialmente estão praticando Agility nos Estados Unidos é algo significativo porque estamos falando em média de 1500 a 2000 pessoas que possivelmente podem estar pensando em vagas para torneios internacionais. Portando não são poucas pessoas, mas sim, percentualmente o número é bem pequeno.

Estando no US Open dias atrás e conversando com várias pessoas (algumas delas bons condutores com bons cães), a resposta “não” quando a pergunta era: “Você vai ir para as seletivas do Europeu ou Mundial? Ou mesmo WAO?” foi muito mais comum do que a resposta “SIM”.

Não é muito difícil de se entender a resposta negativa. Afinal, estando em um país como os Estados Unidos onde torneios gigantescos como o próprio US Open, Cynosports, Tittlemania, Invitational, entre outros oferecem tudo o que um competidor pode esperar (infra-estrutura, organização, e uma infinidade de classes), os competidores acabam encontrando tudo o que precisam dentro de seu próprio país. Também é preciso lembrar que sendo os Estados Unidos um país continental, condutores viajam e atravessam vários Estados por terra ou ar visitando pontos turísticos e diferentes culturas sem mesmo precisar se preocupar com vistos, documentos de viagens, transportes de cães entre outras burocracias que uma viagem internacional requer.

E é claro que existe o fenômeno cultural, que como eu sempre digo, cultura não se discute. Os americanos esportivamente falando criam seu próprio universo com suas próprias regras, o que é muito comum em um país gigante e culturalmente tão diverso. Visitar diferentes Estados americanos é muitas vezes como entrar em uma país diferente com suas próprias culturas e tradições, muito parecido (em alguns pontos) com o Brasil.

No Brasil, eu acredito que o fato de se valorizar tanto o Mundial é o fato de nao haver outro torneio importante para se focar. O Campeonato Brasileiro de Agility dividido em multiplas etapas que se arrastam por todo o ano não agrega valor ao torneio e não tem o mesmo efeito de importância para os competidores, sendo apenas mais uma etapa, e outra, e outra...

O Américas & Caribe poderia (e ainda pode) ser um torneio para os brasileiros focarem e terem a possibilidade de vestirem a camisa do país, principalmente contando com a presença de juízes importantes. Outros torneios sensacionais que acontecem na Europa como o WAO, o Border Collie Classics e mesmo o Europeu parecem que custam a cair nas graças dos brasileiros que ainda pensam o ano inteiro M-U-N-D-I-A-L.

Enfim, o importante é ser feliz dentro do esporte em que se pratica. Competindo fora ou dentro do seu país e alcançando as metas que cada um se coloca a si mesmo.