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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Agility: Julgando e mudando prioridades!

Competir é a prioridade de qualquer pessoa que treina agility. Seja por diversão ou para de fato testar suas habilidades frente a outros competidores. Estar em uma prova de Agility é, para a grande maioria, o objetivo final. Poucos se contentam apenas em treinar e voltar para casa.

Os últimos dois anos foram bem bacanas para mim como competidor nos Estados Unidos. Conseguimos resultados respeitáveis e acabamos recebendo o reconhecimento de muitas pessoas ao redor do país. A terceira colocação no US Open de 2015 e o título regional Sudeste de 2016 foram o ápice. Mas, nosso desempenho caiu consideravelmente nos últimos seis meses e mesmo a respeitável nona colocação no US Open 2016 em Novembro acabou me mostrando que meus cães estão ficando velhos e isso é algo que eu vou ter que aprender a lidar. Brown está com 9 anos de idade e Jack Bauer indo para 8 anos de idade.

Mas a vida é engraçada e se minha preocupação era não ter nenhum cão competitivo para 2017 eis que o destino muda a direção da minha vida no Agility completamente. Comecei com a “brincadeira” de julgar provas de Agility nos Estados Unidos em 2015 quando me afiliei como juiz da UKI e recebi meu primeiro convite para julgar um pequeno torneio regional na Flórida.

Tunel Duplo: a experiência que deu certo
Mas como se destacar em um país com tantos juízes qualificados onde até a competição para ser convidado para julgar é enorme? Resolvi arriscar e comecei a desenvolver percursos ousados (porém sempre observando pontos importantes com ângulos e aproximações nos contatos). Brincar com túneis acabou se tornando minha marca registrada e os americanos adoraram a idéia, o que acabou culminando com a criação do “túnel duplo” (foto ao lado), que acabou virando minha assinatura em meus percursos. A galera pirou e rapidamente mais convites para julgar começaram a chegar.

Com notas muitos altas nas minhas avaliações, e recomendações por parte da coordenação da UKI não demorou muito para convites de outros Estados começarem a chegar, e lá fui eu visitando vários Estados americanos com tudo pago pelos clubes que arcavam com minhas despesas para que eu julgasse suas provas.

No segundo semestre de 2016 veio o convite para o maior desafio até então: julgar o primeiro torneio regional da UKI. A UKI Southeast CUP ou Torneio Regional Sudeste aconteceu nesse mês de janeiro em Brooksville na Flórida e foi um baita desafio, vencido com muito suor, frio, chuva, trabalho e finalizando com uma nota de avaliação muito alta. Vitória!

E se em 2017 provavelmente eu não terei cães competitivos, como disse anteriormente o universo escolheu o momento certo para isso, afinal eu estarei bem ocupado julgando. Até agora, já são 6 provas confirmadas, dentre elas provas na Philadelphia, Washington, Atlanta e é claro na Flórida. Ainda mais podem vir pois o prazo para o convite a juizes para as provas de 2017 ainda está aberto. Tudo isso irá culminar no provável maior desafio da minha carreira como juiz: julgar o US OPEN 2017, um dos maiores torneios nacionais de agility do país.


A vida é mesmo engraçada. Eu que tive a oportunidade de ser juiz de Agility no Brasil mas decidi não o fazer porque não me achava capacitado para isso. Acho que tudo tem seu tempo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Eu julguei a prova mais difícil da minha vida!!!

O mais dificil, fisica e metalmente exaustivo. A mais desafiadora prova de Agility que eu julguei na minha vida. Assim foi o Campeonato Regional Sudeste da UKI nesse final de semana em Brooksville na Flórida. E não apenas por estar julgando ao ar livre em uma temperatura de zero graus onde a máxima dos dois dias não passou dos 6 graus, ou pela chuva que castigou o sábado pela manhã e fez a sensação térmica que já era gélida muito pior quando suas roupas estão molhadas (mesmo com colete e calças a prova de água). Não! Isso eu tirei de letra.

Mas a pressão de estar alí, julgando algumas das melhores duplas do país (e algumas de outros países como Finlândia, já que os Europeus estão cada vez mais vindo aos Estados Unidos para as provas da UKI), em 13 pistas diferentes com condutores lutando por qualificações e pontos para o US Open e para o time que vai ao WAO, tornou minha tensão e preocupação interna muito maior. Afinal, será que as pistas estão boas? Será que os exercícios vão funcionar?

Em dois dias foram mais de 900 passagens que eu julguei, divididas em várias classes entre games, Master Series, Biathlon e provas de velocidade. E tudo deu certo! O resultado foi tão bom que eu fui convidado para julgar outras duas provas por donos de clubes que estavam alí presentes.

Como nos torneios regionais e nacionais não existem classes por nível de dificuldade (como Iniciantes, Grau 1, etc), e todos correm nas mesmas pistas, eu experimentei algo novo. Existiam muitas e muitas duplas correndo na mesma pista, ou seja, julgar por horas e horas uma porrada de cães na mesma pista. É estranho porque por alguns momentos você quase que entra no automático e se desliga do que está acontecendo. Parece um filme repetido na sua cabeça, o que pode ser bem complicado porque isso pode tirar sua atenção e foco no seu julgamento.

Uma das pistas, o Biathlon Jumping, eu acho que realmente não ficou boa e muitas duplas eliminaram em um salto onde uma mudança de ângulo poderia ter feito toda a diferença. Mas conversando com o responsável pela arbitragem da UKI na prova, segundo ele nada que me tire pontos e minha avaliação foi altíssima. Além de uma boa grana com o trabalho.


Até agora, são mais 4 provas confirmadas que eu julgarei em 2017: Philadelphia, Washington, Flórida e o US Open (MEDO!!!!!) em Novembro. Mas isso ainda pode mudar caso eu receba mais convites ainda. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Arena em Jacksonville, Flórida

Jacksonville na Flórida é a maior cidade do Estado. Localizada na divisa com a Geórgia é a cidade com a maior população do Estado a frente de Miami, Tallahassee (a capital), Tampa e Orlando. Mesmo eu já tendo passado por aqui anteriormente (é caminho para quem vai a toda costa leste do país), eu nunca havia entrado na cidade, ou mesmo competido por aqui.

Nesse final de semana estamos competindo em uma prova local da USDAA por aqui, e o que me atraiu para essa prova foi o local. A cidade sediará o US Open de 2017, um dos maiores torneios de Agility do país que eu terei a honra de estar julgando no ano que vem. E exatamente no Jacksonville Equestrian Center onde estamos competindo nesse final de semana é que o US Open vai rolar.

Localizado a cerca de 3 horas de Orlando o local é sensacional! Fora da arena os competidores contam com uma área livre mostruosa onde as pessoas podem usufruir como estacionamento, area de camping, e uma área verde muito confortável para se desfrutar com os cães. A temperatura é bem confortável essa época do ano (até um friozinho bem bacana) e muitos competidores utilizam os próprios carros para acomodar os cães nas caixas de transportes.

Dentro da arena, temperatura climatizada que mantem os competidores sempre confortáveis nem com frio nem com calor. Muitas arquibancadas, auto-falantes, serviço de DJ, e lanchonetes. A superfície da arena é de areia sempre bem preparada por tratores para manter o piso não muito fofo.
E aí, algum brasileiro vindo para o US Open 2017???
Abaixo algumas fotos do local
 





terça-feira, 6 de dezembro de 2016

2017: sem UKI ou AKC, será estranho!

Com o fim dos torneios nacionais nos meses de Outubro (Cynosports) e Novembro (US Open) e as seletivas do Europeu em Dezembro, tudo agora volta a estaca zero e a nova temporada começa.

É a data de corte para as Federações. USDAA em outubro, UKI em Novembro e AKC em Dezembro. Isso significa que todos os Excelentes Zerados, pontos e qualificações para Regionais, Nacionais e Seletivas são zerados e a busca por vagas nos torneios mais importantes de 2017 começa.

Para nós a temporada vai começar nesse final de semana na cidade de Jacksonville, a cerca de 3 horas norte de Orlando com uma prova local da USDAA.

O ano de 2017 vai ser diferente para nós. Comigo julgando os dois torneios mais importantes da UKI, o Regional Sudeste em janeiro e o US Open em Novembro, praticamente ficamos fora de brigar por qualquer vaga nesses torneios. Fica praticamente “sem função” competir pela UKI quando não poderei usar meus pontos e EZ’s para ir a torneios Regionais e para o US Open. Não estou reclamando. Para minha carreira de juiz, 2017 será o ano mais importante da minha vida e isso é algo que vale o preço a ser pago.

Pela AKC provavelmente não competirei ano que vem. Com Jack Bauer fora da categoria 24 polegadas (60cm) e competindo agora no 20 polegadas (50cm) também não estaremos lutando por vagas em nenhuma seletivas, o que torna as provas da AKC também completamente “sem função”.

O que nos resta como competidores é a USDAA, começando a temporada nesse final de semana em Jacksonville, a meta para 2017 é se classificar para o Cynosports que vai acontecer no Tennessee, cerca de 10 horas de carro de casa. Competi apenas uma vez por esse nacional e com apenas um cão. Vamos ver se consigo colocar Jack Bauer e Brown para correr o Cynosports ano que vem. Além disso, não apenas competir pelo Regional Sudeste, mas tentar ir para pelo menos dois regionais, talvez três seria interessante para tapar o buraco de não estar competindo no US Open ano que vem.


Um ano diferente, que venha 2017! 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Por que (a maioria) dos americanos não querem competir fora do país?

Não há dúvidas de que ter a oportunidade de competir em um torneio internacional representando o seu país é algo inesquecível. Desfilar com a bandeira e representar a sua nação é uma honra e nos faz sentir que estamos ali por algo maior. Mas sabe-se que nos Estados Unidos apenas 5% do total dos competidores tem esse sonho. Por que?


Antes de mais nada é preciso dizer que mesmo 5% sendo um percentual muito pequeno, dentro de um universo de aproximadamente 30 ou 40 mil pessoas que oficialmente estão praticando Agility nos Estados Unidos é algo significativo porque estamos falando em média de 1500 a 2000 pessoas que possivelmente podem estar pensando em vagas para torneios internacionais. Portando não são poucas pessoas, mas sim, percentualmente o número é bem pequeno.

Estando no US Open dias atrás e conversando com várias pessoas (algumas delas bons condutores com bons cães), a resposta “não” quando a pergunta era: “Você vai ir para as seletivas do Europeu ou Mundial? Ou mesmo WAO?” foi muito mais comum do que a resposta “SIM”.

Não é muito difícil de se entender a resposta negativa. Afinal, estando em um país como os Estados Unidos onde torneios gigantescos como o próprio US Open, Cynosports, Tittlemania, Invitational, entre outros oferecem tudo o que um competidor pode esperar (infra-estrutura, organização, e uma infinidade de classes), os competidores acabam encontrando tudo o que precisam dentro de seu próprio país. Também é preciso lembrar que sendo os Estados Unidos um país continental, condutores viajam e atravessam vários Estados por terra ou ar visitando pontos turísticos e diferentes culturas sem mesmo precisar se preocupar com vistos, documentos de viagens, transportes de cães entre outras burocracias que uma viagem internacional requer.

E é claro que existe o fenômeno cultural, que como eu sempre digo, cultura não se discute. Os americanos esportivamente falando criam seu próprio universo com suas próprias regras, o que é muito comum em um país gigante e culturalmente tão diverso. Visitar diferentes Estados americanos é muitas vezes como entrar em uma país diferente com suas próprias culturas e tradições, muito parecido (em alguns pontos) com o Brasil.

No Brasil, eu acredito que o fato de se valorizar tanto o Mundial é o fato de nao haver outro torneio importante para se focar. O Campeonato Brasileiro de Agility dividido em multiplas etapas que se arrastam por todo o ano não agrega valor ao torneio e não tem o mesmo efeito de importância para os competidores, sendo apenas mais uma etapa, e outra, e outra...

O Américas & Caribe poderia (e ainda pode) ser um torneio para os brasileiros focarem e terem a possibilidade de vestirem a camisa do país, principalmente contando com a presença de juízes importantes. Outros torneios sensacionais que acontecem na Europa como o WAO, o Border Collie Classics e mesmo o Europeu parecem que custam a cair nas graças dos brasileiros que ainda pensam o ano inteiro M-U-N-D-I-A-L.

Enfim, o importante é ser feliz dentro do esporte em que se pratica. Competindo fora ou dentro do seu país e alcançando as metas que cada um se coloca a si mesmo.



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

US Open: os brasileiros poderiam vir

Essa edição do Us Open contou pela primeira vez com a participação de outros 4 países, além dos anfitriões norte-americanos. Duplas do Canadá, Suiça, Inglaterra e Rússia vieram para participar do torneio.


Como o próprio nome diz, o torneio é aberto (Open) a todos que quiserem participar. Basta pagar a inscrição e uma taxa de 25 dólares para se filiar a UKI. Taxa única, não há anuidades nem para nós que competimos na Federação o ano inteiro.

O torneio oferece várias classes abertas aos competidores que podem escolher onde querem competir. Biatlhon, Master Series, National, Games e Speedstakes tornam o leque de escolhas bem abrangentes e pode levar a um competidor correr até 14 pistas em 4 dias, caso ele participe de tudo. As inscrições são pagas por classe. Ou seja, você paga apenas onde está competindo.

A única desvantagem para os estrangeiros é que eles precisam passar pelas fases classificatórias nos dois primeiros dias para se classificar para as finais nos dois últimos dias. Alguns classes são fáceis de classificar, zerando uma pista ou terminando sem eliminar. Mas para classes como Master Series e Nationals a coisa é um pouco mais complicada e obrigam os competidores a vencer as qualificatórias (Master Series)  ou ficar entre o Top 8 no caso do Nationals. Na pior hipótese, se um competidor for eliminado em tudo participará dos dois primeiros dias e vai assistir de camarote todas as outras finais,

Para os brasileiros a maior inconveniencia é o visto. Diferente da Europa, para se entrar nos Estados Unidos é preciso visto (o de turista já serve) o que obriga os competidores a juntar documentos e visitar o consulado americano em seu Estado para pedir o desejado documento.


Enfim, seria muito bacana ver brasileiros competindo no US Open no ano que vem, especialmente porque será na Flórida a terra do Mickey Mouse. (e eu estarei julgando)

Pára tudo!!! Convidado para julgar o US OPEN 2017!

De todas as emoções que eu vivi no último final de semana, não dá para mentir e negar que ser convidado para julgar o US Open do ano que vem não foi a mais incrível.

É o ápice de uma carreira de juiz que se iniciou em 2014 de forma não muito segura em um pequeno torneio regional da UKI na Flórida, passou por outros torneios regionais por outros Estados americanos, teve um breve pico com o convite para julgar o primeiro torneio regional da UKI (a UKI CUP) no próximo janeiro e agora chega ao nível mais elevado com o convite para ser um dos 4 juízes de um dos maiores torneios nacionais do país.


Com esse convite, a visibilidade que os competidores terão comigo no próximo ano vai aumentar e muito. É provável que mais convites para julgar outras provas apareçam e muitos comecem a vasculhar minhas redes sociais em buscas dos meus percursos.

Se existe um ponto negativo nesse convite é o de não poder competir no US Open 2017 com meus cães. Mas, é um preço barato a ser pago quando eu penso no tamanho da honra que é julgar uma prova com os melhores do melhores. E quem sabe alguns brasileiros não venham? Afinal é um torneio aberto a estrangeiros também.

Por enquanto não dá pra saber quais percursos eu vou julgar. Nesse ano, todos os juízes julgaram desde as provas qualificatórias na Quinta e Sexta, até algumas finais no final de semana. Na verdade, cada juiz ficou encarregado de uma final (Master Series, Biathlon, Speedstakes e Games).


Enfim, ainda existe um ano para se preparar.

domingo, 20 de novembro de 2016

US Open 2016! Assim foi...

Que torneio! Que coisa absolutamente incrível ter a oportunidade de estar participando de um torneio como o US Open. Desde 2012 quando o torneio se iniciou evoluiu muito culminando no melhor, maior e mais bem organizado US Open da história. Com o perdão do trocadilho, mas a pontualidade britânica (para quem não sabe a UKI veio da Inglaterra) associada a capacidade americana de organizar um evento resultaram em 4 dias de um torneio onde só se ouvia elogios.

Superfície impecável, sendo renovada duas vezes por dia por dois tratores. Juízes que trouxeram pistas desafiadoras e ao mesmo tempo divertidas, uma pontualidade que chegava ao ponto do reconhecimento ser marcado para 9:23 e começar exatamente no horário marcado proporcionaram para as quase 700 duplas uma experiência inesquecível. Em 5 categorias diferentes (Master Series, Biathlon, Games, Speedstakes e Nationals), a UKI premiou os campeões nacionais.

Eu vivi altos e baixos.
Com Brown eu só tive alegrias. O pequeno marrom resnaceu na categoria 50cm e só esse ano pegou pódio no Regional Sudeste da USDAA e nesse US Open terminou o Master Series na quinta posição. Uma barra nos tirou o pódio, o que seria o segundo consecutivo pois em 2015 fomos vice-campeões nacionais. O que me anima nele é vê-lo correndo com tanta garra e com um drive sensacional. A possibilidade de competir com ele em uma altura mais baixa o transformou em um campeão competindo contra Border Collies e outras raças de sua mesma altura.

Jack Bauer virou minha preocupação de uns meses para cá. Com problemas para saltar 60cm e nao rendendo como antes, a 9ª posição em meio a tantos Border Collies sensacionais foi um resultado espetacular. Porém, já cai a ficha que ele não vai conseguir competir de igual com os gigantes Border Collies americanos. Vou escrever um post sobre isso em alguns dias, mas para que vocês tenham idéia Jack Bauer competindo no 60cm aqui nos Estados Unidos seria o mesmo do que eu (com meus 1.66 metros de altura) tentando jogar basquete na NBA contra jogadores de mais de dois metros de altura. É muito difícil. O que pode nos levar a começar a competir nos mesmo 50cm onde Brown vem competindo, abrindo mão de tentar qualquer vaga em torneios internacionais e ser feliz com os muitos torneios regionais e gigantes torneios nacionais que a América oferece.

E foi assim! O US Open em 2017 será na Flórida! Na cidade de Jacksonville, o que é uma notícia muito boa para nós moradores do Estado!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dá-lhe memória! Reconhecendo múltiplos percursos

US Open rolando no Estado da Geórgia e separei um tempo pra escrever.
O que você acha de reconhecer dois percursos antes de correr? E que tal quatro? Pois é, o sistema usado por torneios nacionais como o US Open e o Cynosports por aqui deixaria (assim com eu mesmo senti na pele pela primeira vez) muitos brasileiros perturbados com o estilo do reconhecimento.

São 4 pistas simultâneas para dar conta de tantos cães, nesse US Open aproximadamente 700 cães estão competindo. Além disso são muitas classes e por essa razão os condutores são separados por grupos (A,B,C e D). Enquanto o Grupo A está competindo no Agility na pista 1, o Grupo B está competindo no Jumping na pista 2, o Grupo C está competindo no Speedstakes (prova de velocidade) na pista 3 e o Grupo D está competindo em algum game na pista 4. Quando os 4 grupos terminam, os grupos rotacionam e o Grupo A vai a pista 2, o Grupo B vai a pista 3, o Grupo C vai a pista 4 e o Grupo D vem a pista 1. Essa rotação vai acontecendo até todos passem por todas as pistas.

A coisa começa a complicar quando é hora do reconhecimento. No Brasil é usado o sistema walk + run (reconhece + corre), o que significa que todos reconhecem uma pista e correm. Depois todos reconhecerm a segunda pista e correm, e assim vai. Nos Nacionais dos Estados Unidos é usado o sistema Walk + walk, Run + run (reconhece + reconhece, corre + corre). Isso significa que logo pela manhã todos reconhecem todas as pistas antes de correr. Lembra do sistema acima? Grupo A na pista 1, Grupo B na pista 2, Grupo C na pista 3 e Grupo D na pista 4? Depois rotacionando? Acontece o mesmo com o reconhecimento. Ou seja, os 4 grupos rotacionam todas as pistas, reconhecendo todos os percursos e depois correm todos. Nao há mais nenhum reconhecimento o dia topo.

É uma coisa louca porque os condutores precisam memorizar 4 pistas para só depois correr. Como alguns condutores dizem aqui, trata-se de um jogo mental e você precisa ter boa memória e se concentrar. Por outro lado, dá um dinamisno na prova absurdo porque não havendo mais reconhecimentos durante o dia a prova flui de forma incrível.


Enfim, mais algumas diferenças culturais entre os Agilitys brasileiro e americano.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

US Open 2016: tá na hora!

Amanhã encaramos mais uma vez a estrada para o nosso terceiro US Open. Nao será uma viagem longa, algo em torno de 350 milhas (ou 560Km), por volta de 5 horas de viagem. É perto considerando o quanto se precisa viajar para estar em competições importantes aqui nos Estados Unidos. Em duas semanas serão 16 horas até a Pennsylvania para as seletivass do Europeu.

O US Open é um dos maiores torneios dos Estados Unidos. É o torneio nacional da UKI e em média reúne entre 600 e 800 cães. Como disse anteriormente será a nossa terceira particpação.

2014
Viajamos até a Carolina do Norte para o nosso primeiro US Open e naquela oportunidade tudo era novo. Nosso primeiro nacional. Brown não competiu naquele ano, estávamos em um momento dificil de quase aposentadoria e foi depois daquele nacional que decidi começar a competir com Brown em uma classe com saltos mais baixo. Jack Bauer esteve presente e fechamos nosso primeiro US Open com um quinto lugar na classe Biatlhon, uma das classes mais importantes e por pouco fora do pódio.

2015
Foi um ano inesquecível para nós. Minha melhor participação em um torneio nacional nos Estados Unidos. Foi o primeiro nacional de Brown agora competindo na classes 20 polegadas (50cm) o que resultou em seu renascimento dentro do Agility e um inesquecível pódio pelo terceiro lugar no Biatlhon.
Jack Bauer também foi muito bem, e por pouco não faturou o título nacional. Terminamos com o melhor tempo combinado entre todos os competidores na classe 26 polegadas (65cm) porém uma falta no Jumping nos empurrou para o quinto lugar, coincidentemente a mesma posição de 2014.

2016
Para esse ano eu confesso que minhas espectativas não são tão altas. Brown está para se aposentar e não tem o mesmo pique e Jack Bauer não vem com o mesmo gás do ano passado. Ano que vem com certeza será seu ultimo ano na categoria 65cm.


Independente disso, tá na hora! Vamos que vamos correr algumas pistas, curtir esse torneio espetacular e encontrar com amigos do país inteiro.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Cynosports X US Open: a batalha dos nacionais

Viver em um país com múltiplas federações pode ser algo muito bom! Mais provas, mais oportunidades, um agility para todos. Mas eventualmente algumas rivalidades podem rachar o esporte. E a América vive o maior racha entre Federações em sua história.

O Cynosports, o torneio nacional da USDAA foi por muito tempo intocável. O maior e mais popular torneio nacional do país. Em média, 1000 cães de todos os lugares do país se encontram para competir em 5 pistas simultâneas em 5 dias de muito Agility.

Essa figura começou a mudar quando a UKI chegou por aqui e criou seu próprio campeonato nacional: o US Open. Desde 2014 o US Open ganhou um peso enorme no país e praticamente se igualou ao Cynosports.

Até aí tudo bem. O Cynosports sempre sendo realizado nos meses de Setembro ou Outubro e o US Open sempre acontecendo no mês de Novembro todos os anos. Mas desde o ano passado dezenas (para não dizer centenas) de competidores assiduos da USDAA começaram a pegar gosto pela UKI e o número de competidores em algumas provas locais da USDAA começou a cair. Ficou muito claro no começo desse ano quando duas das provas mais tradicionais da USDAA na Flórida na cidade de Winter Park tiveram suas inscrições diminuidas para quase a metade e a tradicional prova que sempre contou com dois juizes, teve apenas um juiz. Muitas duplas estavam no mesmo final de semana competindo em uma prova da UKI em outro local. Fato que ocorreu com algumas provas da USDAA ao redor do país.

A resposta veio forte e a USDAA transferiu o Cynosports para o mês de novembro, apenas uma semana antes do US Open e declarou guerra contra a UKI. Essa atitude vinda da USDAA (equivocada na minha opinião) dividiu os competidores. Com o Cynosports acontecendo nesse final de semana no Arizona e o US Open na próxima semana na Geórgia ficou inviável para 95% dos competidores competirem nos dois nacionais. Eu mesmo tive que optar. Voar (ou dirigir 30 horas) para o Arizona, competir 5 dias e depois voar (ou dirigir 20 horas) atravessando 7 Estados para competir no US Open é algo quase impossível para a maioria.  Sem contar que seriam 15 dias viajando, o que parece bem legal, mas tirar 15 dias de licença no trabalho aqui na América não é pra qualquer um. O resultado final dessa situação é provavelmente um menor numero de competidores nos dois Nacionais. A decisão da USDAA em mudar o Cynosports de data é um tiro em seu próprio pé.


Enfim, torcemos para que a USDAA mantenha o Cynosports em setembro ou outubro no ano que vem para que todos possam desfrutar dos dois nacionais.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Torneios Nacionais: agregando valor

Pontos corridos ou mata-mata? Essa questão é sempre polêmica no futebol. Afinal um torneio por pontos corridos premia o melhor? O mata-mata é mais emocionante?



Essa semana estava pensando sobre os torneios nacionais de agility no Brasil e nos Estados Unidos. Às vésperas de mais um US Open e de mais um Cynosports que acontecem nas próximas semanas, agilitistas nos Estados Unidos não falam em outra coisa. Todo o foco do agility nacional está ligado nas cidades de Scottsdale no Arizona e Perry na Geórgia para “a bola rolar” nos dois torneios nacionais mais importantes do país.

Duplas se preparando, estudando pistas, conferindo as reservas em hoteis, preparando as malas para o embarque nos aeroportos ao redor do país ou trocando o óleo do carro para algumas horas de estrada. Nas próximas semanas milhares de Agilitistas colocarão o foco e a preparação de um ano todo nas duas cidades acima citadas.

E aqui começa minha opinião pessoal.

Enquanto nos Estados Unidos, as marcas Cynosports e US Open agregam valor as suas federações fazendo com que todos os agilitistas se voltem as competições nacionais, e as federações fazem grana com merchandise (camisas, canecas, guias e outros produtos), no Brasil ainda existe a formula de campeonato brasileiro de tiro longo onde não se consegue agregar valor ao torneio.

No meu tempo competindo no Brasil, torneios nacionais chegaram a ter inumeras etapas separadas por meses entre a primeira e a última. Competidores que começavam o torneio no Grau 1, terminavam no Grau 2 ou 3, rankiando em dois ou três graus diferentes. É difícil agregar valor em um torneio assim. Garimpar pontos ao longo de meses não sabendo em qual Grau você terminará o torneio depois de 10 meses faz competidores desanimar.

O sistema de torneios nacionais nos Estados Unidos, faz com que Cynosports ou o próprio US Open sejam grandes eventos anuais onde competidores trabalham o ano inteiro e criando a expectiva de poder estar dentro de um torneio super importante. Além disso dá iguais condições de todos vencerem, afinal é um torneio de tiro-curto em 4 ou 5 dias onde mesmo os maiores favoritos podem ser surpreendidos com uma barra que cai ou uma falta de zona de contato.

Existe um fator cultural no Agility assim como em tudo ao nosso redor. Nós, brasileiros, fomos criados dentro de um Agility com esse sistema e para nós um sistema diferente pode parecer estranho. Esperar um ano inteiro para disputar um torneio nacional??? Pode parecer nada atrativo. Mas, por experiência própria eu posso dizer que disputar um torneio como esses é a grande espera do ano inteiro. E para a maioria dos competidores que não vão a torneios internacionais por falta de recursos ou por uma decisão pessoal (o que é o exemplo de muitos americanos), competir ou até mesmo chegar ao TOP 10 em um torneio com 1000 cães pode ser o momento mais espetacular em sua carreira agilitística.

Agregar valor e fazer dinheiro com Agility não é algo ruim, se feito da maneira correta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Road Trip: Agility na América é na estrada!

(CLIQUE AQUI PARA LER A NOTÍCIA COMPLETA)
Agility nos Estados Unidos é sinônimo de estrada...ou aeroporto. É sim perfeitamente possível competir dentro de seu Estado (dependendo do Estado em que você vive). Estados como Flórida, Califórnia, Texas, Illinois, e vários outros ofecerem provas locais o ano inteiro, mas se você quiser buscar por provas mais desafiadoras, campeonatos nacionais e seletivas para torneios internacionais vai ter que cair na estrada. No Brasil (pelo menos no meu tempo) o Agility sempre foi focado em São Paulo e para nós paulistas, viagem longa de Agility era de mais de 3 horas. Um sufoco! Tinha que se preocupar com Hotel, tralha, ou seja, era longe. Os chamados "estrangeiros", ou competidores de outros Estados, sempre foram tratados como heróis afinal dirigir 10, 12, 14, 16 horas para fazer agility é um ato de heroísmo. Estranho como pessoas de um Estado podem chamar pessoas de outros Estados de estrangeiros. Mesmo sendo eu um desses que sempre usou esse termo incansavelmente, hoje me causa uma certa estranheza. São heróis sim, mas são como nós. Acho que muitos paulistas sairiam para competir "fora" se as competições rodassem mais em outros Estados, ou talvez não, devido as estradas brasileiras horríveis e as inumeras dificuldades em se voar com um cão no Brasil. Então, espera aí! Sim, eles são heróis.  

Costumo dizer que aqui prova pertinho de casa é pelo menos 1 hora e meia de viagem.
13 Estados em 4 anos
(CLIQUE PARA AMPLIAR)

Veja o mapa ao lado, um pequeno exemplo de como eu viajei nos últimos anos. Foram, 13 Estados em pouco menos de 4 anos. É claro que, estando eu na Flórida, normal eu ter “desbravado” muito mais a Costa Leste, tendo visitado a Califórnia uma vez para uma Seletivas e o Texas para um torneio Regional da USDAA.



Existem algumas particularidades com alguns torneios. As Seletivas para o mundial normalmente acontecem na Costa Oeste, geralmente na Califórnia devido a comissão técnica estar daquele outro lado, já as seletivas para o Europeu normalmente acontecem na Costa Leste pela mesmo razão.

Torneios nacionais costumam migrar costa a costa. O Cynosports 2015 foi realizado no Estado do Tennessee (em que eu estive presente), esse ano volta para a costa Oeste no Estado do Arizona (que eu não vou, falarei mais sobre em outro post).

A UKI vem mantendo o seu nacional, o US OPEN, pela costa leste, sendo realizado em 2014 na Carolina do Norte, 2015 na Geórgia e novamente esse ano mês que vem na Geórgia (que eu estarei presente). Em 2017 a UKI já anunciou que o US OPEN será na Flórida, na cidade de Jacksonville, o que é uma notícia espetacular para nós, moradores da Flórida.

A AKC assinou contrato com a cidade de Orlando para realizar o Invitational por 4 anos consecutivos aqui vizinho de casa, e assim foi feito nos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016. Ano que vem o Invitational volta a costa Oeste. Estive nesse torneio por duas vezes, em 2013 e 2014.

De qualquer forma, viajar pelos Estados Unidos é uma experiência sensacional. Com estradas bem sinalizadas e bem projetadas dirigir por horas e as vezes dias é extremamente prazeroso. E se você precisa voar, embarcar com cães dentro do país é super tranquilo, muitas vezes o cão vai com você dentro da cabine, como já aconteceu comigo duas vezes quando viajei com meu Border Collie, trazendo-o comigo nos meus pés.
Viagem a Pennsylvania (1600km)
CLIQUE PARA AMPLIAR


Mês que vem estamos embarcando para o US OPEN, na Geórgia. Nada de mais, Estado vizinho, “apenas” 6 horas de viagem. Nada comparado a duas semanas depois que vamos a Pennsylvania para as Seletivas do Europeu. Ano passado voei e foram 4 boas horas de voo, dessa vez decidi dirigir e serão 997 milhas, ou 1600 quilômetros, aproximadamente 15 horas de estrada.