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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

2017: sem UKI ou AKC, será estranho!

Com o fim dos torneios nacionais nos meses de Outubro (Cynosports) e Novembro (US Open) e as seletivas do Europeu em Dezembro, tudo agora volta a estaca zero e a nova temporada começa.

É a data de corte para as Federações. USDAA em outubro, UKI em Novembro e AKC em Dezembro. Isso significa que todos os Excelentes Zerados, pontos e qualificações para Regionais, Nacionais e Seletivas são zerados e a busca por vagas nos torneios mais importantes de 2017 começa.

Para nós a temporada vai começar nesse final de semana na cidade de Jacksonville, a cerca de 3 horas norte de Orlando com uma prova local da USDAA.

O ano de 2017 vai ser diferente para nós. Comigo julgando os dois torneios mais importantes da UKI, o Regional Sudeste em janeiro e o US Open em Novembro, praticamente ficamos fora de brigar por qualquer vaga nesses torneios. Fica praticamente “sem função” competir pela UKI quando não poderei usar meus pontos e EZ’s para ir a torneios Regionais e para o US Open. Não estou reclamando. Para minha carreira de juiz, 2017 será o ano mais importante da minha vida e isso é algo que vale o preço a ser pago.

Pela AKC provavelmente não competirei ano que vem. Com Jack Bauer fora da categoria 24 polegadas (60cm) e competindo agora no 20 polegadas (50cm) também não estaremos lutando por vagas em nenhuma seletivas, o que torna as provas da AKC também completamente “sem função”.

O que nos resta como competidores é a USDAA, começando a temporada nesse final de semana em Jacksonville, a meta para 2017 é se classificar para o Cynosports que vai acontecer no Tennessee, cerca de 10 horas de carro de casa. Competi apenas uma vez por esse nacional e com apenas um cão. Vamos ver se consigo colocar Jack Bauer e Brown para correr o Cynosports ano que vem. Além disso, não apenas competir pelo Regional Sudeste, mas tentar ir para pelo menos dois regionais, talvez três seria interessante para tapar o buraco de não estar competindo no US Open ano que vem.


Um ano diferente, que venha 2017! 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Por que (a maioria) dos americanos não querem competir fora do país?

Não há dúvidas de que ter a oportunidade de competir em um torneio internacional representando o seu país é algo inesquecível. Desfilar com a bandeira e representar a sua nação é uma honra e nos faz sentir que estamos ali por algo maior. Mas sabe-se que nos Estados Unidos apenas 5% do total dos competidores tem esse sonho. Por que?


Antes de mais nada é preciso dizer que mesmo 5% sendo um percentual muito pequeno, dentro de um universo de aproximadamente 30 ou 40 mil pessoas que oficialmente estão praticando Agility nos Estados Unidos é algo significativo porque estamos falando em média de 1500 a 2000 pessoas que possivelmente podem estar pensando em vagas para torneios internacionais. Portando não são poucas pessoas, mas sim, percentualmente o número é bem pequeno.

Estando no US Open dias atrás e conversando com várias pessoas (algumas delas bons condutores com bons cães), a resposta “não” quando a pergunta era: “Você vai ir para as seletivas do Europeu ou Mundial? Ou mesmo WAO?” foi muito mais comum do que a resposta “SIM”.

Não é muito difícil de se entender a resposta negativa. Afinal, estando em um país como os Estados Unidos onde torneios gigantescos como o próprio US Open, Cynosports, Tittlemania, Invitational, entre outros oferecem tudo o que um competidor pode esperar (infra-estrutura, organização, e uma infinidade de classes), os competidores acabam encontrando tudo o que precisam dentro de seu próprio país. Também é preciso lembrar que sendo os Estados Unidos um país continental, condutores viajam e atravessam vários Estados por terra ou ar visitando pontos turísticos e diferentes culturas sem mesmo precisar se preocupar com vistos, documentos de viagens, transportes de cães entre outras burocracias que uma viagem internacional requer.

E é claro que existe o fenômeno cultural, que como eu sempre digo, cultura não se discute. Os americanos esportivamente falando criam seu próprio universo com suas próprias regras, o que é muito comum em um país gigante e culturalmente tão diverso. Visitar diferentes Estados americanos é muitas vezes como entrar em uma país diferente com suas próprias culturas e tradições, muito parecido (em alguns pontos) com o Brasil.

No Brasil, eu acredito que o fato de se valorizar tanto o Mundial é o fato de nao haver outro torneio importante para se focar. O Campeonato Brasileiro de Agility dividido em multiplas etapas que se arrastam por todo o ano não agrega valor ao torneio e não tem o mesmo efeito de importância para os competidores, sendo apenas mais uma etapa, e outra, e outra...

O Américas & Caribe poderia (e ainda pode) ser um torneio para os brasileiros focarem e terem a possibilidade de vestirem a camisa do país, principalmente contando com a presença de juízes importantes. Outros torneios sensacionais que acontecem na Europa como o WAO, o Border Collie Classics e mesmo o Europeu parecem que custam a cair nas graças dos brasileiros que ainda pensam o ano inteiro M-U-N-D-I-A-L.

Enfim, o importante é ser feliz dentro do esporte em que se pratica. Competindo fora ou dentro do seu país e alcançando as metas que cada um se coloca a si mesmo.



terça-feira, 22 de novembro de 2016

Agility e sua histórias incríveis...e malucas

Eu já tinha ouvido essa história antes em uma outra prova. Até então tida como um mito, foi confirmada por alguém que me disse ter convivido com ela por um longo tempo.

Reza a lenda que uma senhora criadora de Australian Sheppards em meados do início dos anos 2000 esteve presente em um Cynosports levando 11 cães e competindo com todos eles.

Segundo fontes essa condutora teria entrado em pista mais de 50 vezes em um único dia. Se você está se perguntando como é possível, eu te explico. No torneio por equipes no Cynosports, cada equipe compete em 5 diferentes categorias (Agility, Jumping, Snooker, Relay e Gamblers). Das 13 equipes inscritas para o torneio naquele ano, essa senhora competiu em 11 deles (cada um com um cão diferente), tendo feito portanto 5 pistas com cada cão, totalizando a marca de 55 percursos em um mesmo dia.

Dentre todas as classes que ele teria participado durante os 4 dias do torneio ela haveria gasto mais de 2 mil dólares em inscrições. Fazendo uma conta rápida com as inscrições por equipes ela teria gasto mais de 900 dólares para um dia de provas.


Mito ou não, acho que temos uma recordista na história do Agility. 

domingo, 13 de novembro de 2016

USDAA: Tecnologia sendo usada no esporte

Esse é o segundo ano consecutivo que a USDAA usa tecnologia no Cynosports. O maior torneio do país que se encerrou nesse domingo 13/11 (e que infelizmente optei por não ir, em razão do US Open no próximo final de semana), contou novamente com a tecnologia como meio de ajuda aos juízes.

São câmeras estrategicamente colocadas apontando para as zonas de contato (apenas nas de saída e não nas de subida), no pneu e no salto em distância.

A checagem só é permitida se o juiz autorizar. O próprio juiz pode pedir o replay no caso dele mesmo ter alguma dúvida. O condutor também pode pedir o "desafio" e olhar a câmera mas apenas se o juiz autorizar. O juiz pode negar o pedido caso ele entenda que sua decisão foi 100% correta. 

Em caso do "desafio" aceito, dois outros juízes ficam o tempo todo analisando em tempo real os monitores e podem instantaneamente mostrar a imagem nos monitores para que o juiz confirme ou não a falta.

Esse sistema só é usado no Cynosports e por enquanto não está disponível para torneios locais e regionais.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Cynosports X US Open: a batalha dos nacionais

Viver em um país com múltiplas federações pode ser algo muito bom! Mais provas, mais oportunidades, um agility para todos. Mas eventualmente algumas rivalidades podem rachar o esporte. E a América vive o maior racha entre Federações em sua história.

O Cynosports, o torneio nacional da USDAA foi por muito tempo intocável. O maior e mais popular torneio nacional do país. Em média, 1000 cães de todos os lugares do país se encontram para competir em 5 pistas simultâneas em 5 dias de muito Agility.

Essa figura começou a mudar quando a UKI chegou por aqui e criou seu próprio campeonato nacional: o US Open. Desde 2014 o US Open ganhou um peso enorme no país e praticamente se igualou ao Cynosports.

Até aí tudo bem. O Cynosports sempre sendo realizado nos meses de Setembro ou Outubro e o US Open sempre acontecendo no mês de Novembro todos os anos. Mas desde o ano passado dezenas (para não dizer centenas) de competidores assiduos da USDAA começaram a pegar gosto pela UKI e o número de competidores em algumas provas locais da USDAA começou a cair. Ficou muito claro no começo desse ano quando duas das provas mais tradicionais da USDAA na Flórida na cidade de Winter Park tiveram suas inscrições diminuidas para quase a metade e a tradicional prova que sempre contou com dois juizes, teve apenas um juiz. Muitas duplas estavam no mesmo final de semana competindo em uma prova da UKI em outro local. Fato que ocorreu com algumas provas da USDAA ao redor do país.

A resposta veio forte e a USDAA transferiu o Cynosports para o mês de novembro, apenas uma semana antes do US Open e declarou guerra contra a UKI. Essa atitude vinda da USDAA (equivocada na minha opinião) dividiu os competidores. Com o Cynosports acontecendo nesse final de semana no Arizona e o US Open na próxima semana na Geórgia ficou inviável para 95% dos competidores competirem nos dois nacionais. Eu mesmo tive que optar. Voar (ou dirigir 30 horas) para o Arizona, competir 5 dias e depois voar (ou dirigir 20 horas) atravessando 7 Estados para competir no US Open é algo quase impossível para a maioria.  Sem contar que seriam 15 dias viajando, o que parece bem legal, mas tirar 15 dias de licença no trabalho aqui na América não é pra qualquer um. O resultado final dessa situação é provavelmente um menor numero de competidores nos dois Nacionais. A decisão da USDAA em mudar o Cynosports de data é um tiro em seu próprio pé.


Enfim, torcemos para que a USDAA mantenha o Cynosports em setembro ou outubro no ano que vem para que todos possam desfrutar dos dois nacionais.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Torneios Nacionais: agregando valor

Pontos corridos ou mata-mata? Essa questão é sempre polêmica no futebol. Afinal um torneio por pontos corridos premia o melhor? O mata-mata é mais emocionante?



Essa semana estava pensando sobre os torneios nacionais de agility no Brasil e nos Estados Unidos. Às vésperas de mais um US Open e de mais um Cynosports que acontecem nas próximas semanas, agilitistas nos Estados Unidos não falam em outra coisa. Todo o foco do agility nacional está ligado nas cidades de Scottsdale no Arizona e Perry na Geórgia para “a bola rolar” nos dois torneios nacionais mais importantes do país.

Duplas se preparando, estudando pistas, conferindo as reservas em hoteis, preparando as malas para o embarque nos aeroportos ao redor do país ou trocando o óleo do carro para algumas horas de estrada. Nas próximas semanas milhares de Agilitistas colocarão o foco e a preparação de um ano todo nas duas cidades acima citadas.

E aqui começa minha opinião pessoal.

Enquanto nos Estados Unidos, as marcas Cynosports e US Open agregam valor as suas federações fazendo com que todos os agilitistas se voltem as competições nacionais, e as federações fazem grana com merchandise (camisas, canecas, guias e outros produtos), no Brasil ainda existe a formula de campeonato brasileiro de tiro longo onde não se consegue agregar valor ao torneio.

No meu tempo competindo no Brasil, torneios nacionais chegaram a ter inumeras etapas separadas por meses entre a primeira e a última. Competidores que começavam o torneio no Grau 1, terminavam no Grau 2 ou 3, rankiando em dois ou três graus diferentes. É difícil agregar valor em um torneio assim. Garimpar pontos ao longo de meses não sabendo em qual Grau você terminará o torneio depois de 10 meses faz competidores desanimar.

O sistema de torneios nacionais nos Estados Unidos, faz com que Cynosports ou o próprio US Open sejam grandes eventos anuais onde competidores trabalham o ano inteiro e criando a expectiva de poder estar dentro de um torneio super importante. Além disso dá iguais condições de todos vencerem, afinal é um torneio de tiro-curto em 4 ou 5 dias onde mesmo os maiores favoritos podem ser surpreendidos com uma barra que cai ou uma falta de zona de contato.

Existe um fator cultural no Agility assim como em tudo ao nosso redor. Nós, brasileiros, fomos criados dentro de um Agility com esse sistema e para nós um sistema diferente pode parecer estranho. Esperar um ano inteiro para disputar um torneio nacional??? Pode parecer nada atrativo. Mas, por experiência própria eu posso dizer que disputar um torneio como esses é a grande espera do ano inteiro. E para a maioria dos competidores que não vão a torneios internacionais por falta de recursos ou por uma decisão pessoal (o que é o exemplo de muitos americanos), competir ou até mesmo chegar ao TOP 10 em um torneio com 1000 cães pode ser o momento mais espetacular em sua carreira agilitística.

Agregar valor e fazer dinheiro com Agility não é algo ruim, se feito da maneira correta.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Road Trip: Agility na América é na estrada!

(CLIQUE AQUI PARA LER A NOTÍCIA COMPLETA)
Agility nos Estados Unidos é sinônimo de estrada...ou aeroporto. É sim perfeitamente possível competir dentro de seu Estado (dependendo do Estado em que você vive). Estados como Flórida, Califórnia, Texas, Illinois, e vários outros ofecerem provas locais o ano inteiro, mas se você quiser buscar por provas mais desafiadoras, campeonatos nacionais e seletivas para torneios internacionais vai ter que cair na estrada. No Brasil (pelo menos no meu tempo) o Agility sempre foi focado em São Paulo e para nós paulistas, viagem longa de Agility era de mais de 3 horas. Um sufoco! Tinha que se preocupar com Hotel, tralha, ou seja, era longe. Os chamados "estrangeiros", ou competidores de outros Estados, sempre foram tratados como heróis afinal dirigir 10, 12, 14, 16 horas para fazer agility é um ato de heroísmo. Estranho como pessoas de um Estado podem chamar pessoas de outros Estados de estrangeiros. Mesmo sendo eu um desses que sempre usou esse termo incansavelmente, hoje me causa uma certa estranheza. São heróis sim, mas são como nós. Acho que muitos paulistas sairiam para competir "fora" se as competições rodassem mais em outros Estados, ou talvez não, devido as estradas brasileiras horríveis e as inumeras dificuldades em se voar com um cão no Brasil. Então, espera aí! Sim, eles são heróis.  

Costumo dizer que aqui prova pertinho de casa é pelo menos 1 hora e meia de viagem.
13 Estados em 4 anos
(CLIQUE PARA AMPLIAR)

Veja o mapa ao lado, um pequeno exemplo de como eu viajei nos últimos anos. Foram, 13 Estados em pouco menos de 4 anos. É claro que, estando eu na Flórida, normal eu ter “desbravado” muito mais a Costa Leste, tendo visitado a Califórnia uma vez para uma Seletivas e o Texas para um torneio Regional da USDAA.



Existem algumas particularidades com alguns torneios. As Seletivas para o mundial normalmente acontecem na Costa Oeste, geralmente na Califórnia devido a comissão técnica estar daquele outro lado, já as seletivas para o Europeu normalmente acontecem na Costa Leste pela mesmo razão.

Torneios nacionais costumam migrar costa a costa. O Cynosports 2015 foi realizado no Estado do Tennessee (em que eu estive presente), esse ano volta para a costa Oeste no Estado do Arizona (que eu não vou, falarei mais sobre em outro post).

A UKI vem mantendo o seu nacional, o US OPEN, pela costa leste, sendo realizado em 2014 na Carolina do Norte, 2015 na Geórgia e novamente esse ano mês que vem na Geórgia (que eu estarei presente). Em 2017 a UKI já anunciou que o US OPEN será na Flórida, na cidade de Jacksonville, o que é uma notícia espetacular para nós, moradores da Flórida.

A AKC assinou contrato com a cidade de Orlando para realizar o Invitational por 4 anos consecutivos aqui vizinho de casa, e assim foi feito nos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016. Ano que vem o Invitational volta a costa Oeste. Estive nesse torneio por duas vezes, em 2013 e 2014.

De qualquer forma, viajar pelos Estados Unidos é uma experiência sensacional. Com estradas bem sinalizadas e bem projetadas dirigir por horas e as vezes dias é extremamente prazeroso. E se você precisa voar, embarcar com cães dentro do país é super tranquilo, muitas vezes o cão vai com você dentro da cabine, como já aconteceu comigo duas vezes quando viajei com meu Border Collie, trazendo-o comigo nos meus pés.
Viagem a Pennsylvania (1600km)
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Mês que vem estamos embarcando para o US OPEN, na Geórgia. Nada de mais, Estado vizinho, “apenas” 6 horas de viagem. Nada comparado a duas semanas depois que vamos a Pennsylvania para as Seletivas do Europeu. Ano passado voei e foram 4 boas horas de voo, dessa vez decidi dirigir e serão 997 milhas, ou 1600 quilômetros, aproximadamente 15 horas de estrada.