sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Dá-lhe memória! Reconhecendo múltiplos percursos

US Open rolando no Estado da Geórgia e separei um tempo pra escrever.
O que você acha de reconhecer dois percursos antes de correr? E que tal quatro? Pois é, o sistema usado por torneios nacionais como o US Open e o Cynosports por aqui deixaria (assim com eu mesmo senti na pele pela primeira vez) muitos brasileiros perturbados com o estilo do reconhecimento.

São 4 pistas simultâneas para dar conta de tantos cães, nesse US Open aproximadamente 700 cães estão competindo. Além disso são muitas classes e por essa razão os condutores são separados por grupos (A,B,C e D). Enquanto o Grupo A está competindo no Agility na pista 1, o Grupo B está competindo no Jumping na pista 2, o Grupo C está competindo no Speedstakes (prova de velocidade) na pista 3 e o Grupo D está competindo em algum game na pista 4. Quando os 4 grupos terminam, os grupos rotacionam e o Grupo A vai a pista 2, o Grupo B vai a pista 3, o Grupo C vai a pista 4 e o Grupo D vem a pista 1. Essa rotação vai acontecendo até todos passem por todas as pistas.

A coisa começa a complicar quando é hora do reconhecimento. No Brasil é usado o sistema walk + run (reconhece + corre), o que significa que todos reconhecem uma pista e correm. Depois todos reconhecerm a segunda pista e correm, e assim vai. Nos Nacionais dos Estados Unidos é usado o sistema Walk + walk, Run + run (reconhece + reconhece, corre + corre). Isso significa que logo pela manhã todos reconhecem todas as pistas antes de correr. Lembra do sistema acima? Grupo A na pista 1, Grupo B na pista 2, Grupo C na pista 3 e Grupo D na pista 4? Depois rotacionando? Acontece o mesmo com o reconhecimento. Ou seja, os 4 grupos rotacionam todas as pistas, reconhecendo todos os percursos e depois correm todos. Nao há mais nenhum reconhecimento o dia topo.

É uma coisa louca porque os condutores precisam memorizar 4 pistas para só depois correr. Como alguns condutores dizem aqui, trata-se de um jogo mental e você precisa ter boa memória e se concentrar. Por outro lado, dá um dinamisno na prova absurdo porque não havendo mais reconhecimentos durante o dia a prova flui de forma incrível.


Enfim, mais algumas diferenças culturais entre os Agilitys brasileiro e americano.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

US Open 2016: tá na hora!

Amanhã encaramos mais uma vez a estrada para o nosso terceiro US Open. Nao será uma viagem longa, algo em torno de 350 milhas (ou 560Km), por volta de 5 horas de viagem. É perto considerando o quanto se precisa viajar para estar em competições importantes aqui nos Estados Unidos. Em duas semanas serão 16 horas até a Pennsylvania para as seletivass do Europeu.

O US Open é um dos maiores torneios dos Estados Unidos. É o torneio nacional da UKI e em média reúne entre 600 e 800 cães. Como disse anteriormente será a nossa terceira particpação.

2014
Viajamos até a Carolina do Norte para o nosso primeiro US Open e naquela oportunidade tudo era novo. Nosso primeiro nacional. Brown não competiu naquele ano, estávamos em um momento dificil de quase aposentadoria e foi depois daquele nacional que decidi começar a competir com Brown em uma classe com saltos mais baixo. Jack Bauer esteve presente e fechamos nosso primeiro US Open com um quinto lugar na classe Biatlhon, uma das classes mais importantes e por pouco fora do pódio.

2015
Foi um ano inesquecível para nós. Minha melhor participação em um torneio nacional nos Estados Unidos. Foi o primeiro nacional de Brown agora competindo na classes 20 polegadas (50cm) o que resultou em seu renascimento dentro do Agility e um inesquecível pódio pelo terceiro lugar no Biatlhon.
Jack Bauer também foi muito bem, e por pouco não faturou o título nacional. Terminamos com o melhor tempo combinado entre todos os competidores na classe 26 polegadas (65cm) porém uma falta no Jumping nos empurrou para o quinto lugar, coincidentemente a mesma posição de 2014.

2016
Para esse ano eu confesso que minhas espectativas não são tão altas. Brown está para se aposentar e não tem o mesmo pique e Jack Bauer não vem com o mesmo gás do ano passado. Ano que vem com certeza será seu ultimo ano na categoria 65cm.


Independente disso, tá na hora! Vamos que vamos correr algumas pistas, curtir esse torneio espetacular e encontrar com amigos do país inteiro.

domingo, 13 de novembro de 2016

USDAA: Tecnologia sendo usada no esporte

Esse é o segundo ano consecutivo que a USDAA usa tecnologia no Cynosports. O maior torneio do país que se encerrou nesse domingo 13/11 (e que infelizmente optei por não ir, em razão do US Open no próximo final de semana), contou novamente com a tecnologia como meio de ajuda aos juízes.

São câmeras estrategicamente colocadas apontando para as zonas de contato (apenas nas de saída e não nas de subida), no pneu e no salto em distância.

A checagem só é permitida se o juiz autorizar. O próprio juiz pode pedir o replay no caso dele mesmo ter alguma dúvida. O condutor também pode pedir o "desafio" e olhar a câmera mas apenas se o juiz autorizar. O juiz pode negar o pedido caso ele entenda que sua decisão foi 100% correta. 

Em caso do "desafio" aceito, dois outros juízes ficam o tempo todo analisando em tempo real os monitores e podem instantaneamente mostrar a imagem nos monitores para que o juiz confirme ou não a falta.

Esse sistema só é usado no Cynosports e por enquanto não está disponível para torneios locais e regionais.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Cynosports X US Open: a batalha dos nacionais

Viver em um país com múltiplas federações pode ser algo muito bom! Mais provas, mais oportunidades, um agility para todos. Mas eventualmente algumas rivalidades podem rachar o esporte. E a América vive o maior racha entre Federações em sua história.

O Cynosports, o torneio nacional da USDAA foi por muito tempo intocável. O maior e mais popular torneio nacional do país. Em média, 1000 cães de todos os lugares do país se encontram para competir em 5 pistas simultâneas em 5 dias de muito Agility.

Essa figura começou a mudar quando a UKI chegou por aqui e criou seu próprio campeonato nacional: o US Open. Desde 2014 o US Open ganhou um peso enorme no país e praticamente se igualou ao Cynosports.

Até aí tudo bem. O Cynosports sempre sendo realizado nos meses de Setembro ou Outubro e o US Open sempre acontecendo no mês de Novembro todos os anos. Mas desde o ano passado dezenas (para não dizer centenas) de competidores assiduos da USDAA começaram a pegar gosto pela UKI e o número de competidores em algumas provas locais da USDAA começou a cair. Ficou muito claro no começo desse ano quando duas das provas mais tradicionais da USDAA na Flórida na cidade de Winter Park tiveram suas inscrições diminuidas para quase a metade e a tradicional prova que sempre contou com dois juizes, teve apenas um juiz. Muitas duplas estavam no mesmo final de semana competindo em uma prova da UKI em outro local. Fato que ocorreu com algumas provas da USDAA ao redor do país.

A resposta veio forte e a USDAA transferiu o Cynosports para o mês de novembro, apenas uma semana antes do US Open e declarou guerra contra a UKI. Essa atitude vinda da USDAA (equivocada na minha opinião) dividiu os competidores. Com o Cynosports acontecendo nesse final de semana no Arizona e o US Open na próxima semana na Geórgia ficou inviável para 95% dos competidores competirem nos dois nacionais. Eu mesmo tive que optar. Voar (ou dirigir 30 horas) para o Arizona, competir 5 dias e depois voar (ou dirigir 20 horas) atravessando 7 Estados para competir no US Open é algo quase impossível para a maioria.  Sem contar que seriam 15 dias viajando, o que parece bem legal, mas tirar 15 dias de licença no trabalho aqui na América não é pra qualquer um. O resultado final dessa situação é provavelmente um menor numero de competidores nos dois Nacionais. A decisão da USDAA em mudar o Cynosports de data é um tiro em seu próprio pé.


Enfim, torcemos para que a USDAA mantenha o Cynosports em setembro ou outubro no ano que vem para que todos possam desfrutar dos dois nacionais.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Torneios Nacionais: agregando valor

Pontos corridos ou mata-mata? Essa questão é sempre polêmica no futebol. Afinal um torneio por pontos corridos premia o melhor? O mata-mata é mais emocionante?



Essa semana estava pensando sobre os torneios nacionais de agility no Brasil e nos Estados Unidos. Às vésperas de mais um US Open e de mais um Cynosports que acontecem nas próximas semanas, agilitistas nos Estados Unidos não falam em outra coisa. Todo o foco do agility nacional está ligado nas cidades de Scottsdale no Arizona e Perry na Geórgia para “a bola rolar” nos dois torneios nacionais mais importantes do país.

Duplas se preparando, estudando pistas, conferindo as reservas em hoteis, preparando as malas para o embarque nos aeroportos ao redor do país ou trocando o óleo do carro para algumas horas de estrada. Nas próximas semanas milhares de Agilitistas colocarão o foco e a preparação de um ano todo nas duas cidades acima citadas.

E aqui começa minha opinião pessoal.

Enquanto nos Estados Unidos, as marcas Cynosports e US Open agregam valor as suas federações fazendo com que todos os agilitistas se voltem as competições nacionais, e as federações fazem grana com merchandise (camisas, canecas, guias e outros produtos), no Brasil ainda existe a formula de campeonato brasileiro de tiro longo onde não se consegue agregar valor ao torneio.

No meu tempo competindo no Brasil, torneios nacionais chegaram a ter inumeras etapas separadas por meses entre a primeira e a última. Competidores que começavam o torneio no Grau 1, terminavam no Grau 2 ou 3, rankiando em dois ou três graus diferentes. É difícil agregar valor em um torneio assim. Garimpar pontos ao longo de meses não sabendo em qual Grau você terminará o torneio depois de 10 meses faz competidores desanimar.

O sistema de torneios nacionais nos Estados Unidos, faz com que Cynosports ou o próprio US Open sejam grandes eventos anuais onde competidores trabalham o ano inteiro e criando a expectiva de poder estar dentro de um torneio super importante. Além disso dá iguais condições de todos vencerem, afinal é um torneio de tiro-curto em 4 ou 5 dias onde mesmo os maiores favoritos podem ser surpreendidos com uma barra que cai ou uma falta de zona de contato.

Existe um fator cultural no Agility assim como em tudo ao nosso redor. Nós, brasileiros, fomos criados dentro de um Agility com esse sistema e para nós um sistema diferente pode parecer estranho. Esperar um ano inteiro para disputar um torneio nacional??? Pode parecer nada atrativo. Mas, por experiência própria eu posso dizer que disputar um torneio como esses é a grande espera do ano inteiro. E para a maioria dos competidores que não vão a torneios internacionais por falta de recursos ou por uma decisão pessoal (o que é o exemplo de muitos americanos), competir ou até mesmo chegar ao TOP 10 em um torneio com 1000 cães pode ser o momento mais espetacular em sua carreira agilitística.

Agregar valor e fazer dinheiro com Agility não é algo ruim, se feito da maneira correta.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Quanto ganha um juiz de Agility nos Estados Unidos?

ESSE POST FOI PUBLICADO EM MAIO DE 2016, ESTOU APENAS REPUBLICANDO AQUI NO NOVO BLOG

Mais uma sensacional experiência julgando uma prova de Agility nos Estados Unidos. A prova aconteceu em Palmetto – FL, na costa Oeste do Estado, no Golfo do México. 

3 dias! 650 passagens em pistas! Na Sexta a prova começou a 1 da tarde e terminou por volta das 6. Sábado e Domingo a prova começou as 8 da manhã e terminou por volta das 4 da tarde.

Com relação a organização eu não vou ser repetitivo. Já comentei anteriormente sobre isso. O que eu gostaria de mencionar aqui são outros dois fatores.

Primeiro foi um sistema testado pela organização dessa prova onde foram enviados, logo pela manhã, os percursos do dia para o celular de cada competidor. Ou seja, você acordava de manhã, checava seu celular e lá estavam os percursos do dia. Prontos! Você podia dar zoom na imagem e já ir pensando em sua estratégia. Foi bem bacana.

Mas quanto ganha um juiz de Agility nos Estados Unidos? Na verdade não existe nada oficial. Nas regras está dizendo que o pagamento ao juiz deve ser acordado entre o clube organizador e o juiz. Mas, existe uma regra não oficial e praticamente todos a seguem.

O clube paga 1 dólar por passagem em pista, mais gasolina, hotel e alimentação. Quando um juiz julga uma prova em dois dias facilmente tira em torno de 800 dólares, a não ser que seja uma prova muito pequena. 3 dias julgando rendem mais de 1000 dólares ao juiz.

Para provas maiores como campeonatos regionais ou nacionais paga-se mais. Juízes em provas importantes como Cynosports ou US Open tiram mais de 3 mil dólares por evento.

Eu fiquei sabendo que para provas locais alguns juízes já chegaram a pedir mais do que 1 dólar por passagem em pista. Mas o que acaba acontecendo é que esses juízes acabam não sendo mais convidados porque acabam “violando” essa regra não-oficial.

Eu tenho mais duas provas agendadas para julgar, uma na Flórida e uma na Pennsylvania nos proximos meses.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

O Américas & Caribe e os americanos

O maior torneio das Américas? Em quantidades de países podemos dizer que sim. O A&C é o torneio que reúne a maior diversidade de países das Américas dentro do mesmo torneio. Em quantidade de duplas não, visto que há torneios nos Estados Unidos como o Cynosports e o US Open que chegam a reunir mais de 1000 cães por edição.

De qualquer forma, na minha opinião o A&C é o mais importante torneio das Américas e teria condições de se tornar um dos torneios mais importantes do mundo. Vou falar um pouco mais sobre isso abaixo.

Os americanos aos poucos começam a olhar de outra forma para o A&C, principalmente para condutores que vão ao Europeu e ao Mundial que enxergam o A&C talvez como uma preparação e oportunidade para competir com os juízes que estarão julgando o Mundial.

Mas na teoria o A&C não existe oficialmente para os americanos. E isso é devido ao fato que nenhuma federação de agility nos Estados Unidos reconhece o torneio. Você pode entrar agora mesmo nos site da AKC, USDAA ou UKI e não há absolutamente nada sobre o torneio. Não há informações, data de prova, formulário de inscrições, absolutamente nada.

Essa função de “organizador” do time que vai ao A&C caiu no colo de uma das condutoras americanas mais conhecidas pelo pessoal da América do Sul (não há necessidade aqui de citar seu nome). Por vários anos ela vêm competindo anualmente no A&C e conhece como ninguém nos Estados Unidos esse torneio. Cabe a ela receber as inscrições de quem está interessado em ir, organizar uniformes e escolher o time para o torneio oficial.

Em 2015, no Américas & Caribe no Brasil, a equipe americana foi recorde. Levando um número de condutores nunca antes visto. Humildemente eu pego um pouco dessa responsabilidade pois naquela época fiz uma campanha gigantesca por aqui para levar mais e mais competidores. Acabamos levando vários amigos para competir no Brasil. Naquela oportunidade acabei "beliscando" dois pódios com Jack Bauer

Acho que passa a ser uma questão de tempo até que alguma Federação americana comece a reconhecer o valor desse torneio e assuma a responsabilidade por ele, tirando isso das costas de uma única pessoa. Se isso acontecesse, os Estados Unidos poderiam levar mais e mais duplas e o A&C se tornaria mais popular por aqui. A escolha lógica seria a AKC assumir essa responsabilidade por se tratar da Federação americana ligada a FCI, mas eu duvido muito que a AKC assuma isso. Talvez a UKI possa fazer o mesmo e seguir o exemplo do que fez com o WAO, que era um torneio sem reconhecimento na América e que depois da UKI assumir a responsabilidade pelo time se tornou um dos torneios com as vagas mais disputadas pelos americanos.


Quanto ao A&C em questão, como disse anteriormente, poderia se tornar um dos torneios mais importantes do mundo, talvez com um patrocinador forte e oferecendo pistas simultâneas poderia trazer mais competidores da Europa. As maiores reclamações que ouvi de amigos americanos que foram a alguns A&C é com relação a longa espera até chegar a sua vez de correr suas pistas. São longos dias. Eu não estava no Peru anos atrás mas alguns amigos me disseram que eram longas horas esperando para se fazer duas pistas. Isso faz com que algumas pessoas não voltem. Talvez organizar um calendário de provas onde minis e midis correm pela manhã e Standards a tarde. Ou mesmo um dia só com Standard e outro só com Mini-midis, enfim difícil de bate-pronto pensar em uma situação enquanto escrevo esse texto.  

De qualquer forma a América do Sul é um ponto turístico forte para Europeus e Norte-Americanos e esse fato por si só ja pode ser um baita atrativo quando provas são realizadas em pontos turísticos e os condutores têm algumas horas para conhecer a cidade e não ficar em uma prova das 8 da manha as 9 da noite.  

E quem sabe no ano que vem não estaremos no Chile? ...por falar nisso, alguém tem informações sobre o Américas & Caribe do ano que vem?